Biblioteca Sinhá Junqueira realiza projeto com escolas estaduais de Ribeirão Preto
“Quem já foi até a Biblioteca Sinhá Junqueira (BSJ)?”, dos 45 alunos do 6º ano da Escola Estadual Dr. Geraldo Correia de Carvalho, apenas oito levantam a mão. Os motivos são diversos: “não sou muito de ler”, “minha mãe não leva” e até “não conhecia”. Foi justamente para aproximar adolescentes como esses da Biblioteca e, consequentemente, despertar ou ampliar o interesse pela leitura, que surgiu o BSJ na Escola.
O projeto leva manifestações artísticas para dentro das escolas públicas com uma ideia simples: a literatura pode, e deve, ser divertida. Durante a ação, o arte-educador, poeta e escritor Fabrício Bispo convida os estudantes a participarem de uma dinâmica descontraída. A partir das palavras, ideias e referências compartilhadas, eles participam da construção de uma poesia e de uma performance poética com a mediação do educador.
Ao protagonizar a criação, os alunos também experimentam outras formas de se relacionar com o processo literário. “Poder construir, juntos, uma poesia a partir de outras linguagens artísticas e do conhecimento empírico deles é muito importante. Muitas vezes, eles nem sabem do próprio potencial para construir um texto. A gente mostra: é fácil. Todo mundo se diverte, gosta e vê o que consegue fazer”, explica Fabrício.

Além da dinâmica, os estudantes podem escolher livros da Biblioteca para fazer empréstimo. Desde o início do projeto, um a cada cinco participantes já levaram livros para casa. Entre esses alunos, apenas 0,74% já tinham realizado empréstimos anteriormente.
Melissa de Faria, 11 anos, é uma delas. A aluna encontrou uma forma diferente de se aproximar de uma história já conhecida: “Eu nunca li o livro “Detetives do Prédio Azul, mas eu peguei porque gosto muito da série”. Já Matheus Leonardo Gomes, 11 anos, encontrou outro motivo: “Eu não sou muito de ler, mas eu achei esse [Histórias Assombradas] legal. Tem vários desenhos e vou conseguir ler tudo”.
Para o diretor da Biblioteca, Ciro Monteiro, esse contato com a leitura por escolha própria pode ser decisivo na formação de leitores: “Isso rompe com a ideia de leitura obrigatória. Eles passam a fazer aquilo porque realmente gostam. Nesta fase é quando, de fato, levamos para a vida a leitura como um ato de amor e de ampliar repertórios. A partir dali, eles podem conhecer sobre o mundo, sobre a vida, sobre tudo o que quiserem saber”.