De uma HQ ao intercâmbio em Portugal: estudantes do Colégio Camillo de Mattos participam do Era Uma Vez… Brasil
Arthur Escobar sabia que o projeto poderia levar estudantes a Portugal. O que ele não sabia era se seria um deles. Quando recebeu a notícia da seleção, a reação foi imediata: “Eu fiquei incrédulo, não acreditei.”
Ele foi um dos 11 estudantes da região de Ribeirão Preto selecionados para participar do intercâmbio cultural do Era Uma Vez… Brasil, projeto que reúne estudantes de diferentes municípios para pesquisar e produzir conteúdos sobre a história do Brasil.
Além de Arthur, outras três alunas do 8º ano do Colégio Camillo de Mattos participaram da etapa de imersão que reúne cem estudantes de diferentes escolas: Bianca Vitória, Geovana Alves e Giovana Akemi. Depois dessa fase, Arthur foi selecionado para o intercâmbio em Portugal, enquanto Geovana e Bianca tiveram as histórias em quadrinhos (HQ’s) publicadas.
Quando aprender também significa criar
A participação no projeto envolveu pesquisa, produção de histórias em quadrinhos, atividades audiovisuais e momentos de convivência com outros estudantes. Durante o Campus, os jovens também tiveram contato com representantes de povos indígenas e da cultura afro-brasileira, que compartilharam os diferentes aspectos da formação cultural brasileira.
Para Arthur, esse contato ampliou a maneira como ele enxergava determinados conteúdos históricos. “Conhecer a história a partir da perspectiva desses povos foi muito bom. A gente viu coisas que realmente são profundas. Inclusive, fizemos grafismos e aprendemos os diferentes significados”.

Já a Giovana Akemi, afirma que o mais interessante foi conseguir superar a própria timidez. “Eu sou uma pessoa meio tímida e, às vezes, não consigo comunicar minhas ideias. Mas, no final, eu consegui participar do jeito que eu queria”. De acordo com ela, a experiência foi uma oportunidade de fazer novos amigos e vivenciar “coisas únicas”.
Uma história que começou com um portal
A produção da HQ também abriu espaço para que os estudantes encontrassem diferentes formas de abordar o tema proposto: “Quem conta a nossa história? A participação indígena e afro-brasileira na formação do Brasil”. A aluna Geovana Alves optou por adotar um ponto de vista diferente dos colegas. Ela escolheu a ficção científica para criar a própria história.
Nela, duas crianças constroem uma máquina capaz de voltar ao passado. A viagem leva os personagens ao Brasil antes e durante a chegada dos portugueses, permitindo questionar a forma tradicional de contar o início da história brasileira. A HQ ficou entre as 75 publicadas pelo projeto, junto com a da colega Bianca Vitória.
Para além do resultado da publicação, a experiência também mudou a percepção da estudante sobre o próprio potencial. “Eu fiquei surpresa comigo mesma, porque eu achei que eu não tinha esse potencial, mas eu tenho.”

Quando o conhecimento encontra outras formas de expressão
A participação no Era Uma Vez… Brasil também se conecta a um trabalho que já acontece no Colégio Camillo de Mattos. Desde o 6° ano, os estudantes têm contato com produção de histórias em quadrinhos, construção de roteiro e enquadramento em atividades de História.
Para o professor de História do Colégio Camillo de Mattos, Felipe Eduardo Kuhl Anastácio, essa preparação faz com que a produção deixe de ser apenas uma tarefa pontual. Ao longo do ano, os conteúdos trabalhados em sala são relacionados à proposta do projeto, permitindo que os estudantes desenvolvam a pesquisa e a criação a partir de diferentes linguagens.
É nesse processo que Felipe percebe uma diferença importante. O desempenho de um estudante em uma atividade tradicional nem sempre revela todas as habilidades que ele consegue mobilizar quando encontra outra forma de apresentar o que sabe.
“Quando eles têm que aplicar esse conhecimento de uma outra maneira, em um teatro, uma HQ, qualquer coisa que foge do padrão, é nesse momento que os alunos se destacam”.

O professor cita como exemplo a própria reação dos estudantes durante o projeto. Mesmo aqueles que não demonstram o mesmo envolvimento em todas as atividades começam a chegar com esboços, ideias e perguntas sobre as produções deles. “Eles ficam muito eufóricos. O aluno começa a fazer o esboço, querem mostrar, entender se está bom”.
Ele, no entanto, faz uma distinção importante: não é possível atribuir ao projeto, sozinho, uma mudança generalizada no desempenho escolar. Esse trabalho pedagógico é desenvolvido ao longo dos anos escolares. O que o projeto proporciona, na avaliação dele, é um contexto em que outros conhecimentos e habilidades podem aparecer.
O próximo capítulo será em Portugal
Para Arthur, a próxima etapa ainda está por acontecer. A viagem está prevista para 19 a 30 de novembro de 2026, quando os estudantes selecionados passarão dez dias em Lisboa, com visitas a palácios, castelos, escolas, museus e outras instituições.
Arthur já sabe o que espera encontrar. “Eu quero conhecer culturas novas, quero ver as perspectivas deles em relação à história do Brasil.” Também já pensa no que pretende fazer quando voltar. “Eu quero passar essas informações que eu aprendi para outras pessoas. Quero ir lá no Campus também, falar como foi a minha experiência.”
No fim, a experiência não se resume à seleção para Portugal ou à publicação de uma HQ. Para os estudantes, houve a oportunidade de pesquisar, criar, trabalhar em equipe e apresentar uma produção própria a partir de um tema histórico. E, em diferentes momentos do projeto, cada um encontrou uma maneira de participar e mostrar o que sabia fazer.